A sua compleição física não impunha medo, pelo contrário. Ele não chegava a ser baixo, mas também não se poderia afirmar que era de estatura mediana. No entanto, o seu corpo aparentava certa robustez, sem ser forte. Nem tão pouco era magro ou obeso.
Pessoa calada e que demonstrava caminhar resoluto para determinado objetivo e nós que o cercávamos não sabíamos. Mas desgraçadamente viemos saber.
Como disse a sua aparência não colocava medo, atraia, mas repelia qualquer tentativa de aproximação.
Deus! Nós já temos os nossos próprios problemas, nossas próprias lutas, quer sejam internas ou externas. Que se dane, fique com as suas dificuldades, pois já tenho as minhas. Não verbalizei, pensei e disfarcei. Não quero que vejam o meu íntimo. Ler meus pensamentos. Ah! Isto não.
Na maior parte do tempo fingimos. Não sabemos quem realmente somos. Enganamos a nós mesmos e os outros e aqui e ali temos sucesso, mas de Ti Senhor, nada podemos esconder. Tu tudo sabes, pois Tu és Deus. O meu intelecto. A minha pseuda inteligência por vezes quer negá-lo, atribuir a existência de tudo ao mero acaso. No entanto, a minha alma não permite. Sabe Senhor? Ela percebe que Tu estas presente. Ela sente o seu calor, o seu amor, mesmo diante de tanta dor. Seja esta dor de quem for. Deus Tu és amor.
Rompera o primeiro casamento, já o segundo cambaleava, mas não encontrava forças para consertá-lo e muito menos para dar cabo dele. Após muitos anos planejava rever o filho do primeiro casamento. Trabalha nas suas folgas e cada centavo que economizava seria destinado para a passagem do reencontro tão almejado.
Nos últimos dias estava falante e sorridente. Estranhamos, mas nada dissemos. Como fazia todas as noites assumiu o seu posto de serviço e seguiu para dar cabo de suas tarefas. Nenhuma suspeita foi levantada. Como sempre saiu calado.
Como demorava em retornar, pela primeira vez foi notado. Mas já era tarde, muito tarde. Coragem ou covardia? O fato é que com sua própria arma calado calou-se.
Estávamos sempre ao seu lado e nada falou da sua dor. Porque é que não percebemos a sua aflição?
Jesus nasceu para nos dar vida. Vida que pode ser traduzida por amor, paz, alegria, bondade, fé, mansidão, comunhão, afeição e esperança no porvir.
Com Cristo nunca ficaremos calados, a não ser para ouvi-lo, e viveremos para sempre.
Jundiaí, 25 de dezembro de 2009.
Campinas, 11 de janeiro de 2012.
Bonfim
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