quarta-feira, 14 de março de 2012

No banquinho com o Pai



Pai! Cheguei. Agora tudo irá ficar bem, eu sei.
Como é bom poder sentar-se ao seu lado.
Em outro banquinho meu coração estaria saltitante.
Aqui falo abertamente dos meus temores.
Compartilho as minhas dores, como palha ao fogo, elas desvanecem.

Pai. Ouço a sua voz e sinto o seu calor.
Experimento o seu amor e aquieto-me.
Penso em Enoque, Elias, Abraão, Moisés e Davi.
Como eles quero andar contigo. Passo a passo.
Que seja um andar ereto, perfeito e santo.

Pai. Sua doce voz é como música que faz levitar a alma.
Na sua companhia ouço o vento e o barulho das folhas das árvores.
Como é belo o gorjeio dos pássaros. Eles exaltam o teu nome.
O pulsar do seu coração rompe o silêncio e por momentos o meu segue o ritmo do seu. É magnífico. Não consigo entender tanto amor. Desfruto-o.

Soprem os ventos. Rompam todos os sons da terra. Ondas quebrem violentamente nas rochas. Animais corram diante do temporal. Homens gritem de dor por causa dos seus temores. Na presença do altíssimo Reina Paz.

O mal de cada dia me chama. Não quero deixar o banquinho. Vou permanecer um pouquinho mais ao seu lado Pai. Sei que nunca me deixarás e que a cada passo comigo seguirás. Neste cantinho e neste banquinho quero sempre estar. Ah! É Muito bom.

Amo-Te.

Daniel C. Bonfim
Campinas, 14Mar12. 

terça-feira, 6 de março de 2012

SUPERMÃE

 

Lá se vão mais de vinte e cinco anos. Normalmente lembranças ocorridas há tanto tempo assim não fazem parte do nosso cotidiano. Mas, hoje me deparei com uma mãe e o seu filho e como não poderia deixar de ser o passado se fez presente.
Os jovens com seus sonhos e incertezas muitas vezes se lançam em busca de uma carreira profissional por influência dos amigos ou por falta de uma melhor oportunidade. Este jovem em especial que farei menção, necessariamente não se encaixaria em nenhuma das duas hipóteses. O fato é que ele demonstrava grande impulsividade, naturalmente que esta característica pediria uma profissão em que a emoção estaria constantemente presente.
Certamente que o local para o desempenho da eletrizante profissão contaria muito. A onde é que se encontram grandes aglomerados de pessoas, circulação intensa de veículos e consequentemente imperam as ações ilícitas de toda ordem? Nas grandes metrópoles.
Nelas os sonhos se multiplicam. Pessoas dedicadas ao trabalho e até mais do que o necessário. Negligenciam os seus e a si mesmo. Coragem e determinação é a marca que predomina. As alegrias se fundem com as tristezas. Esperanças com a desilusão. Mas somente alguns desistem.
Policial. A carreira abraçada foi a de policial. Moço com o tino aguçado, mas inexperiente. Corajoso, mas imprudente. Assim como alguém que se entorpece com uma bebida com pouco teor alcoólico, mas que faz com que os pés fiquem leves e de rumo incerto. Lá estava o defensor dos fracos e oprimidos dando os seus primeiros passos na vibrante profissão.
Em um dia aparentemente como qualquer outro, ao final da tarde o policial buscava fazer valer à lei. Só. Sem o devido apoio de companheiros e equipamentos. Dois jovens saboreavam o cigarro dos incautos. Para aqueles longínquos dias umas séries de afirmativas se faziam contra tais usuários, as quais não cabiam contestação.
No entanto, neste caso específico a verdade foi cruel. Os dois jovens não se deixariam serem pegos assim tão facilmente. Correram. Uma arma mortal foi vigorosamente empunhada. Determinado, sem nem se dar conta da bestialidade que estava preste a praticar, o garoto acionou o gatilho. Um tiro surdo se fez ouvir.
Socorrido com presteza e tendo recebido os cuidados possíveis dos anjos vestidos de branco. O chumbo maldito odiava o defensor do povo e cumpriu com o seu maléfico desígnio.
Para os seus amigos, companheiros e a doce esposa não foi um dia qualquer, mas fatídico e inesquecível dia.  Dia de dor e medo.
Partiu e deixou a bela mulher e o filho em tenra idade.
Uma praça pública com um largo passeio. E diante dela uma das avenidas principais da pequena, mas importante cidade interiorana. Nesta avenida os veículos circulam lentamente, bem como assim os jovens e cada qual em busca do par ideal.
Foi ali que a vi. Como faz a mais de vinte e cinco anos, aonde quer vá, o seu filho esta ao seu lado. A sorte foi malfazeja consigo. O tão esperado filho veio, amou-o profundamente, como poucas amaram. Já no nascimento ficou patente a desventura. Profundas limitações físicas e mentais. Assim cresceu. Mas também cresceu incrivelmente a sua simpatia e alegria.
A aparência da criança e agora do jovem repele os habitantes do mundo de perfeitos. Nos filmes e novelas, os apresentadores em geral dos programas televisivos, todos tem que serem belos e ponto.  Nas propagandas aqui e acolá aparecem em segundo plano um que não seja da raça ariana. E somente aparecem por força de lei. Quanta hipocrisia!
Diante dos meus olhos o desventurado de beleza estética visualizou alguém e para ela correu desajeitadamente. Cena rara de aceitação do oposto. Aquela jovem mulher o abraçou vigorosamente. Durou apenas um minuto, mas pareceu uma eternidade, o abraço estava carregado de terno e profundo amor. Deu-lhe o afeto mais que merecido e somente então, ele se foi de braços dado com a supermãe.
Gesto digno de ser imitado? Sim. Possível? Sim. Mas e quanto ao amor sacrificial daquela mãe? Poucos poderão alcançar tal magnitude. Anulou-se como mulher. Esvaziou-se de si mesmo em detrimento do seu amado filho. Ele precisou dela por inteiro, e ela se deu sem reservas. Precisa dela por toda a vida ela já o tem dado. Até o fim.
“Melhor coisa é dar do que receber”, disse o mestre Jesus. Tenho sido tão egoísta. Deixo de dar e receber amor. Quando deveria aproximar, afasto-me das pessoas. A solidão se instá-la, então perco a benção da companhia.
“Ainda que uma mãe possa esquecer-se do seu filho ou rejeitá-lo, eu jamais esquecerei ou rejeitá-lo-ei”. Assim afirmou o escritor bíblico. Jesus Cristo na cruz é a prova cabal deste amor incondicional. Incomparável amor.
Hoje o meu amor é limitado e muitas vezes egoísta, mas será perfeito juntamente com a supermãe e o seu lindo filho quando no céu estivermos.
Até lá meus amigos.
Presidente Venceslau (SP), 27 de dezembro de 2009.

Daniel da Cruz Bonfim

quinta-feira, 1 de março de 2012

SOLIDEZ


ROCHA MAGMÁTICA

Sólido. Inabalável.  Firme como rocha. Somos desafiados a sermos inatingíveis. Mas a nossa fraqueza e finitude mostram de forma cabal o contrário.
Temos necessidade de dependência, perguntamos até o que sabemos. A insegurança nos domina. Queremos ombro amigo e solidário. Queremos afago e o calor do abraço amoroso. Esperamos recebermos pronto e eficaz socorro.
Mostramos-nos fortes e somos acariciados pelo orgulho. Quando frágeis, sentimo-nos amado pela mão amorosa que ampara.
Quando somos identificados como rocha, somos na verdade “pedra de tropeço”. Por outro lado, Jesus Cristo é a Rocha Eterna. Assim clamou o salmista: Rocha minha e libertador meu! Rocha da minha salvação. Bendito seja o Senhor, minha Rocha. O Senhor é a minha Rocha”.
Cada povo ao seu tempo teve o seu sentimento de solidez. Uns apoiaram na segurança das suas muralhas e exércitos. Outros nas armas e tecnologia avançada. Nunca faltou astúcia e alianças. Hoje, como nunca, o sentimento de segurança ficou centrado no deus dinheiro. Ele compra quase tudo. Dizem que atrai fama, luxo, segurança, prazer e até felicidade.
Seja na pobreza ou na riqueza, todos almejamos solo firme para colocarmos a planta dos nossos pés. Não somente os pés, mas todo o nosso corpo.
Quando deixamos o Jardim Celeste e passamos a viver por conta própria, a solidez esvaeceu. Temos lutado para deixar a areia movediça. Sem ajuda não seremos salvos. “Tirou-me de um poço de lama. Ele me pôs seguro em cima de uma rocha” (Salmos 40.2). Quem obedece a Rocha, constrói sua casa eterna na Rocha.
O fruto da árvore do meio do jardim foi a nossa ruína. A escolha correta seria e continua sendo a obediência. Agora, no Jardim, está a Rocha Eterna. Paz perene e segurança eterna somente encontraremos N’Ele.
Almejo desde já estar no Jardim Celeste. Quero sentir o perfume das flores e ver o seu colorido exuberante. Mais do que isto quero ver o Meu Salvador Jesus Cristo e desfrutar da sua companhia gloriosa. Rocha inabalável e libertador meu.
“O Senhor é o único Deus; somente Deus é a nossa Rocha.” (2 Samuel 22.32)

Campinas, 24 de fevereiro de 2.012.


Daniel Bonfim

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sorrindo

Curtindo

Belíssima Caminhada no Rio

Jesus é a Verdadeira Alegria
Ipeúna - 2012
PIBC 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

AMIGO E COMPANHEIRO

Quem decidir se colocar como juiz da Verdade e do Conhecimento é naufragado pela gargalhada dos deuses.
- Albert Einstein

Ah, minha alma, prepare-se para encontrar Aquele que sabe fazer perguntas.
- T. S. Eliot
        
        Sabe amigo, na maioria das vezes as palavras duras que usamos contra as pessoas são fruto das nossas dúvidas, incertezas, mas mui especialmente dos nossos medos.
Tenho respostas, certezas e coragem até que a realidade vem à tona. Sou um homem em busca do porto seguro. Local onde possa sentir a terra firme sob os meus pés. Lá onde os ventos não causem medo e não possam lançar-me no mar das desesperanças. Pois é, apesar de todas as intempéries, de todas as dificuldades, ainda assim continuo a lutar.
Fico a pensar na dureza de se lutar contra a obesidade. Muitas vezes parece ser uma luta inglória. Penso em como superar um relacionamento desfeito, mas você luta para superar e recomeçar. Como é árdua a luta para se criar um filho, no entanto, você é orgulhoso e feliz pelos filhos que tem. Os seus pais são pessoas simples, mas você fala deles com profundo amor. São fatos da sua vida que no dia a dia você foi compartilhando e durante esta reflexão me faz olhá-lo positivamente.
Vejo você comprometido em vencer no seu local de trabalho, e concluo que já é um vencedor. O mais que vier será conseqüência. Vejo também aquilo que somos. E o que somos é pela permissão divina e para sermos bênçãos na vida dos que nos cercam.
Sabe, quando sopram os ventos precisamos de um local seguro, mas também e principalmente de pessoas que nos ajudem. Amigo, você tem sido auxílio permanente. Partilha com todos os seus conhecimentos. Sempre pronto a ajudar.
Somos interdependentes. Mas fundamentalmente precisamos daquele que desceu do céu e veio e se entregou por você e por mim. Amou-nos incondicionalmente. Jesus levou sobre si as nossas dores, os nossos medos. E nos oferece a sua doce paz. Paz celeste.
Cristo quer levantar a sua voz e dizer: amigo. Ele nos oferece amizade eterna. Amizade inigualável. Jesus o doce e terno amigo.  
O Emanuel, o menino Deus está conosco.
Felicidades e até breve amigo.

         Jundiaí, novembro de 2009.

Bonfim

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O “BURRO” QUE CAIU DO CAVALO

         Enquanto me deliciava com Machado de Assis discorrendo uma de suas crônicas, a sua peculiar maestria trouxe-me gentilmente alume as “reflexões de um burro”. Aflorou-me as reminiscências de um fato pitoresco e desgraçadamente triste, triste tanto para o “burro”, quanto enfadonho para o cavalo, cavalo mesmo.
         O fato se deu com um jovem e o seu cavalo na bela cidade interiorana do estado de São Paulo. Jovem pela pouca idade, pelas feições e pelas atitudes, não que isto seja praxe dos jovens, mesmo nestes dias de tantas futilidades e aridez de espíritos. Lá estava eu, nos meus afazeres profissionais, quando soube do ocorrido com determinado jovem, que conduzia seu veloz veículo o qual era fruto da sua imaginação, pois na verdade sonhava de olhos abertos com um veículo de vários cavalos, potentes debaixo do capô. Ainda que fosse jovem, e não tivesse a força de um adulto, chicoteava como tal. O intento era claro, que o único cavalo puxasse sua já surrada carroça, como se fosse uma veloz biga. Mesmo não sabendo o que seria uma biga e que a mesma era puxada por dois cavalos. Bem, o fato é que no seu imaginário estava ele a conduzir um carro da fórmula um. Pobre “burro”. Pobre cavalo. Pobre Jovem.
         Lá estava o “burro” jovem, ou, como queiram o jovem “burro” a chicotear o seu cavalo. Que também ostentava jovialidade, embora não parecesse, visto o pouco nutrimento. Para conferir sua magreza, bastaria fazer as contas do índice de massa corporal (IMC), que certamente o colocaria abaixo do peso ideal, ao contrário dos que se vendem nos leilões. Cavalos caríssimos, lindos e “gordos”. Entenda-se “gordos”, pelo fato de serem alimentados adequadamente. Finalizando, estes cavalos com pedigree sempre estão no peso ideal, são sempre sarados. Mas o fato é que o jovem condutor, no seu devaneio, sentindo a brisa no rosto ansiava por mais, mais e mais. Quanto maior a velocidade, superior a quantidade de brisa recebida. Afinal, havia muitos cavalos debaixo do capô. E obviamente não podia se furtar as sensações de prazer que tudo isto lhe proporcionava. Nada mais importava a não ser o que importava. Convenhamos, é próprio do ser humano querer sempre mais da velocidade e do que a vida pode dar, ainda mais sendo jovem. Mesmo sendo “burro”, visto que burro também pensa. Lá estava ele pensando e correndo atrás daquilo que lhe era caro, ainda que fosse somente naqueles parcos momentos.
         Ah! Falando em sempre querer mais. Vem-me a memória um pequeno verme, que habita as águas doces e tem ventosas com que se liga aos animais a fim de sugar-lhes o sangue, chamados sanguessuga. Refiro-me aquele individuo que explora outro, pedindo-lhe, ou, tomando-lhe constantemente dinheiro.   
         Como disse o ser humano sempre quer mais do que se pode ter. Assim este me dá, me dá é continuamente insaciável. Na moderna medicina não se pode faltar sangue. E sangue é o que querem as sanguessugas, e bem como os muitos dos nossos representantes no congresso nacional, que assim são chamados. Seriam somente eles, os políticos, os vampiros? Sangue não é o que querem, mas sim, anseiam o vil metal. Pensando bem, sangue sim! Sangue de um povo sofrido.
         Sofre o povo pela sua desesperança, ou quiçá pela sua pseudo-esperança? Crêem em uma economia forte, com mais e melhores oportunidades de emprego. Emprego até que tem, mas e a divisão do quinhão? Quem sabe os desvalidos sonham com o homem mais solidário, amigo e amoroso. A periferia das cidades com os seus becos e vielas, com sua falta de saneamento básico e de lazer. Provida de transporte precário. Ensino que não ensina. Este quadro sombrio nos lança a uma busca intangível.
         Pintar um quadro negro sem brilho e beleza é fácil, mas o que queremos ver e ter é o Éden. Por acaso todo o nosso esforço não está concentrado em ter e estar no paraíso terrestre? Quando deveríamos almejar também ou principalmente o celestial.
         O paraíso para o condutor de biga naquele momento era a adrenalina, produzida pela velocidade, pelo vento e o perigo. Já para as sanguessugas de plantão, estejam onde estiverem, é ter cada vez mais, doa a quem doer. Que se danem os outros, no entanto, elas é que na verdade mais sofrem, pois as buscas não satisfeitas às tornam pobres e nuas. Miseráveis, ainda que habitem em mansões.
         Quanto aos desvalidos que permeiam as periferias, e aos que habitam as favelas são penalizados pela sua própria má sorte, pelos seus sonhos não alcançados ou pela falta deles.
         Mas aí vem Jesus e diz:
Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, pois eles receberão a terra por herança.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.
Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.
Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.
Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.
Assim, meus amigos e companheiros alegrem e regozijem, pois Jesus nasceu. Como ele é a luz, tendo-o não ficaremos em trevas. Natal é tempo de paz e não de ansiedade e correrias mil, em busca sabe se lá do quê.
Tenhamos paz, a paz que vem da manjedoura.
Com temor compartilho com cada um de vocês esta humilde crônica, crendo que serão parcimoniosos e dela poderão usufruir.
Um forte abraço e até breve. 

Daniel Cruz Bonfim
Campinas, 06Set11. 

           

domingo, 22 de janeiro de 2012

O PRÍNCIPE DO SINALEIRO

Posso depender de Deus para me suster?
         A temperatura durante a semana foi muito alta, o calor aliado à baixa humidade deixava um forte mal estar e dificultava a respiração. Mas, no final de semana tudo mudou e a temperatura em pouco mais de três horas caiu cerca de sete graus centígrados. Os fortes ventos fez aumentar a sensação de frio.
         O trajeto de casa até o supermercado, embora próximo, sempre é feito de carro, mas naquele domingo não havia veículos disponíveis, pois cada um dos dois filhos havia tomado posse deles. Resolvemos eu e Beth caminharmos até o mercado para comprarmos o nosso almoço de domingo. No interior do apartamento a sensação era de muito frio, principalmente após o banho, embora o Sol tenha despontado com um brilho adoravelmente gélido. Já na rua, vi que acertara na escolha do short e de uma camiseta de manga curta.
         No farol da avenida, próximo ao supermercado, sempre com grande fluxo de veículos durante a semana, normalmente vemos três ou quatros pedintes e “limpadores” de para-brisas de carros. Mas, na manhã daquele domingo vimos somente um limpador de para-brisas.
         Homem de meia idade, estatura mediana, moreno claro, barba, e com uma magreza e a postura do filho pródigo sem o anel no dedo. O seu semblante altivo deixava claro que aquele local e aquele serviço humilhante o constrangia profundamente. Pareceu-me que aceitava sua condição junto à pocilga com intensa relutância, o seu olhar estava fixo no horizonte, perdido na sua revolta consigo mesmo e com Deus.
         Do supermercado retornamos com algumas sacolas cheias de poucos víveres, vimos ainda no mesmo sinaleiro, que lá permanecia o príncipe do chiqueiro. Ele estava com sua garrafa pet com água e um pequeno rodo. Suava prodigamente e certamente a barriga pedia com muita veemência algumas bolotas, pois a fome apertava. Mas, pareceu-me que aquela manhã fora caprichosamente ingrata com o príncipe, pois a sua tristeza denunciava que havia recebido parcas moedas. Não só pelos poucos veículos que transitava pelo local, mas também pela rotineira indiferença com a dor alheia, notadamente nas grandes cidades.
        Já durante alguns dias vinha meditando se verdadeiramente vivia na dependência divina para prover a minha subsistência. Sempre cri, e por vezes teoricamente e outras poucas vezes na prática que a fonte do meu sustento e da minha família não era o Estado, pois fui por vinte e oito anos funcionário público, mas sim o Senhor Deus.
        Atualmente sou vendedor comissionado autônomo, ou seja, se vendo recebo algum dinheiro e do contrário, NÃO. Olhando a minha situação de vendedor e pensando no príncipe do sinaleiro comecei analisar com mais profundidade a minha crença na dependência da providência divina. Cheguei à conclusão que tenho vivido repleto de teoria e pouca prática. Dizia: “Deus tu és a fonte do meu sustento”, mas na verdade meu verdadeiro deus era o Estado que infalivelmente depositava todo quinto dia útil o meu salário na minha conta bancária. A confiança era total no “deus Estado”. Para o Senhor Deus sobrava à dificuldade na entrega do dízimo e as lamúrias contra os patrões e os parcos recursos.
        Quando os negócios vão bem, o dinheiro passa a ofuscar os nossos olhos, rapidamente, como se não estivéssemos conscientes, passamos andar com o peito estufado, cheios de orgulho. Então, o que demonstramos com está postura é que a minha boa oratória e capacidade de argumentação foram preponderante para a boa conclusão das vendas. É isto que passamos de forma “inocente e humilde” e com o queixo erguido para os demais dizemos: “Fui eu, eu sou o máximo”. Para um observador mais atento e obviamente patente para Deus, estamos dizendo: “Eu consegui”. O observador diz: “Louco, deixou Deus de fora”. Por acaso arrogante e incauto não é o Senhor Deus que “alimenta as aves e dá beleza ímpar as flores?” Então não é Ele que criou e sustenta o Universo? 
        Muitos “funcionários dos sinaleiros”, inconscientemente, usam uma estratégia psicológica. Quando deixam naqueles que “pagam pelo serviço de limpeza do para-brisa” o sentimento de obrigação de entregar uma moedinha e reforçam ao dizer: “Deus te abençoe senhor”. Não é Deus que está provendo mais uma moedinha, mas a incapacidade do motorista de dizer não e o de permitir ser constrangido a “pagar pelo serviço".
         Com o mercado aquecido, com o foco no cliente e com as técnicas corretas podem ocorrer boas vendas. Mas seja com o mercado em alta ou em baixa, somos tentados a confiar na capacidade humana e deixarmos Deus de lado. Disse Deus a Adão: "com o suor do teu rosto comeras". E a Palavra de Deus continua falando: "Então sai o homem à sua obra e ao seu trabalho, até à tarde" (Salmos 104.23). "Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem" (Salmos 128.2). Somos instados a trabalharmos com afinco e conhecermos com excelência a nossa atividade para que os bons resultados apareçam. Mas, mesmo que comecemos pela teoria e que continuemos caminhando pela senda do empirismo, possamos enxergar a verdade nua e crua. Que em algum momento, seja com pouca ou muita dor, possamos conhecer e reconhecer o verdadeiro provedor. Aquele que é criador, dono e sustentador dos mundos, o Senhor Jehová-Jireh, o Deus que prove e proverá.
        Sou mais Tomé que gostaria. Quero ver, tocar, tenho que ser o agente, preciso ter o domínio de tudo e todos. Sim, com o meu trabalho vou ter os recursos necessários para viver. Mas, não posso esquecer que este trabalho e os consequentes recursos auferidos, foram e serão frutos da providência do Deus Eterno.
       Com a mente permeada da teoria, mas principalmente treinada pela prática de depender de Deus para viver, veremos certamente os medos fugirem para o seu lugar de origem, a escuridão. E, então a luz bendita de Jesus trará a tão desejada PAZ. Paz que estará presente quer na bonança, quer na tormenta. Disse Jesus: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”.
        Sim. Posso depender totalmente de Deus para me suster. Afinal, Deus cuida de cada pardal e não deixará de tratar-me com amor e carinho. Pois valho infinitamente mais que um passarinho.        
Fiquemos confiantes e certos da providência divina.
Até breve.

Daniel Cruz Bonfim
Campinas, 06Set11.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CALADO CALOU-SE

A sua compleição física não impunha medo, pelo contrário. Ele não chegava a ser baixo, mas também não se poderia afirmar que era de estatura mediana. No entanto, o seu corpo aparentava certa robustez, sem ser forte. Nem tão pouco era magro ou obeso.
Pessoa calada e que demonstrava caminhar resoluto para determinado objetivo e nós que o cercávamos não sabíamos. Mas desgraçadamente viemos saber.
Como disse a sua aparência não colocava medo, atraia, mas repelia qualquer tentativa de aproximação.
Deus! Nós já temos os nossos próprios problemas, nossas próprias lutas, quer sejam internas ou externas. Que se dane, fique com as suas dificuldades, pois já tenho as minhas. Não verbalizei, pensei e disfarcei. Não quero que vejam o meu íntimo. Ler meus pensamentos. Ah! Isto não. 
Na maior parte do tempo fingimos. Não sabemos quem realmente somos. Enganamos a nós mesmos e os outros e aqui e ali temos sucesso, mas de Ti Senhor, nada podemos esconder. Tu tudo sabes, pois Tu és Deus. O meu intelecto. A minha pseuda inteligência por vezes quer negá-lo, atribuir a existência de tudo ao mero acaso. No entanto, a minha alma não permite. Sabe Senhor? Ela percebe que Tu estas presente. Ela sente o seu calor, o seu amor, mesmo diante de tanta dor. Seja esta dor de quem for. Deus Tu és amor.
Rompera o primeiro casamento, já o segundo cambaleava, mas não encontrava forças para consertá-lo e muito menos para dar cabo dele. Após muitos anos planejava rever o filho do primeiro casamento. Trabalha nas suas folgas e cada centavo que economizava seria destinado para a passagem do reencontro tão almejado.
Nos últimos dias estava falante e sorridente. Estranhamos, mas nada dissemos. Como fazia todas as noites assumiu o seu posto de serviço e seguiu para dar cabo de suas tarefas. Nenhuma suspeita foi levantada. Como sempre saiu calado.
Como demorava em retornar, pela primeira vez foi notado. Mas já era tarde, muito tarde. Coragem ou covardia? O fato é que com sua própria arma calado calou-se.
Estávamos sempre ao seu lado e nada falou da sua dor. Porque é que não percebemos a sua aflição?
Jesus nasceu para nos dar vida. Vida que pode ser traduzida por amor, paz, alegria, bondade, fé, mansidão, comunhão, afeição e esperança no porvir.
Com Cristo nunca ficaremos calados, a não ser para ouvi-lo, e viveremos para sempre.

Jundiaí, 25 de dezembro de 2009.
Campinas, 11 de janeiro de 2012.

Bonfim