O culto vespertino da igreja que frequentamos foi mais um “hoje é domingo”. Não notei nenhuma diferença substancial nele. A culpa não é do “pé de cachimbo” é da “gente que é fraco”. As mensagens do púlpito e musicais na maior parte das vezes reputo como excelentes e ungidas. Logo, sou eu que vejo “o buraco fundo”, a rotina.
Este não era e não poderia ser mais um dia rotineiro dominical. Na verdade todos estavam pesarosos e reflexivos, pois completava o décimo ano do violento e “incompreensivo” ataque às torres gêmeas. Mais um onze de Deus. As aterradoras imagens permeiam a telinha e reforçam o onze. A culpa não é do dia onze, mas da escolha, infeliz escolha.
Mas este domingo teve algo que incomodou, foi diferente, ocorreu um tremor de escala sete, ou talvez oito. O edifício da rotina tremeu. No final da tarde a esposa esteve face-a-face com o desespero de uma mãe e mulher. E diante de tal aflição e grito de dor, o que fazer? Trazia o medo estampado no semblante, o corpo alquebrado e a voz vacilante.
De há muito um forte temporal estava formado no alto da colina. Víamos as nuvens negras e nos abrigamos. Já ela, olhava as nuvens tenebrosas e se encolhia trêmula. O minuano soprava intensamente e calafrios percorriam o seu corpo já tão fragilizado. Buscou por abrigo, mas todos os dormitórios de hotéis e estalagens já estavam ocupados. Cambaleante e sem rumo chegou a um estábulo.
O temporal não tardou e uma torrente de água desceu copiosamente colina abaixo. A correnteza chegou e atingiu a sua face já avermelhada, e um forte estalido se fez ouvir. O rosto jovial ruboresceu ainda mais e encharcou. A enxurrada rompeu abundantemente e as barreiras naturais e artificiais, a muito levantadas, vieram abaixo. As lágrimas não se fizeram de rogada e produziram uma limpeza inicial.
Mas há determinado acumulo que não sai somente com água, mesmo que seja muita água. Tal purificação dar-se-á somente com água viva e amor eternal.
Conta-se que: “Em um onze de tormenta, no alto das rochas, em seu abrigo, estava uma ave protegida. E nas águas revoltas do mar, logo abaixo, um náufrago com o horror estampado no rosto dava suas últimas braçadas. Enquanto a ave experimentava a mão protetora divina o nadador afundava”. Quer estejamos caminhando nas ondas bravias ou nas rochas, a verdadeira segurança, exige que atendamos o chamado do mestre e mantenhamos o olhar fixo nele.
Nunca na história vimos humanismo tão excessivo. O bem estar e a satisfação do homem hodierno parecem que chegou ao seu ápice. Ainda que ignore os milhões que vivem na pobreza absoluta. Por maiores, melhores, belas e confortáveis que sejam as mansões que o homem possa construir, jamais chegará a ser como as Mansões Celestes. Mas, na contramão do prazer, estes mesmos nadadores e medalhistas olímpicos não estão conseguindo enxergar e muito menos chegar à borda da piscina. Falta-lhes força para superar as caudalosas ondas. Falta-lhes a direção do Consolador e a presença do Príncipe da Paz.
Diante deste implacável dia onze, timidamente me coloco a orar: Deus de amor e misericórdia este dia é seu, como todos os demais. Nos criou para sermos felizes, mas estragamos tudo. Escolhemos a dor a gozar da sua companhia gloriosa e cheia de paz. Peço que olhes para esta mãe e esposa, e para todas as demais que choram e se angustiam. O Senhor nos ama com amor eterno. Detenhas, por misericórdia, a tormenta. Dê ordem para que ela amaine. Por Jesus Cristo teu filho amado. Que assim seja.
Daniel da Cruz Bonfim
Campinas, 11Set2011.
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