quinta-feira, 6 de outubro de 2011

PAPAI ESTOU AQUI


O sentimento de segurança que temos em um condomínio nas grandes cidades é muito desejado. Além da segurança as pessoas buscam tranquilidade. Mas nem sempre é possível deixar de produzir e ouvir barulhos. Os sons podem ser incômodos, irritantes, estimulantes e reflexivos.
            Pela manhã acordei e através da janelinha do banheiro o som da voz de um menino de no máximo três anos de idade atingiu-me em cheio. Nada mais belo do que a voz de um inocente, especialmente quando demonstra fragilidade e carinho.
            “Papai estou aqui”, gritou o infante. Aveludada e penetrante ela chegou ao âmago da minha alma. Talvez pelo fato de ser aspirante a vovô, ou por serem as primeiras horas do dia e por não ter sido ainda contaminado pelos mensageiros de más notícias. “Papai estou aqui”, a sua vozinha entrou no meu coração e trouxe-me profunda sensação de paz e reflexão. 
            Por ser pequenino e frágil o seu papai o deixou no raio de segurança ao alcance dos olhos e das mãos. O menino não estava com medo e nem apavorado. Mas a preocupação entrou no seu coraçãozinho. Se o seu paizinho demorasse um pouquinho mais e tivesse que chamá-lo pela segunda e terceira vez, certamente que passaria a gritar e chorar. Aí o medo teria chegado ao seu pequeno coração.
            Crescemos dia-a-dia e ganhamos autonomia, e pouco a pouco nos sentindo auto-suficiente, donos do próprio nariz. Enquanto o vento não soprar caminharemos de cabeça erguida e confiantes. Mas quando os trovões e relâmpagos se juntarem aos ventos, os nossos gritos de desespero ecoarão ao longe. Por muitas vezes repetiremos: Papai estou aqui, Papai estou aqui, Papai estou aqui, por favor, venha socorrer-me. Muitas lágrimas rolarão.
            Quando desobedecemos nos afastamos do Pai e ficamos sem chão. Mas a verdade é que jamais sairemos do raio de segurança do Papai do Céu. Deus é amor. “Com amor eterno te amei” (Jr 31.3). Podemos rejeitar o seu amor, errar e entristecê-lo, mas ele não nos abandona. Basta gritarmos por socorro, e o Pai virá em nosso auxílio.
            Sou pecador e frágil, e uma leve brisa é suficiente para amedrontar. Enquanto viver não deixarei de clamar: Papai estou aqui. Papai te amo. Então ouvirei a voz doce e suave do Senhor, filho: “Com amor eterno te amei; por isso, com benignidade te atrai”.
            Papai!

Daniel Cruz Bonfim
Campinas, 05Out11.

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